Outro olhar sobre gênero – Maria Lugones “Colonialidad y género”

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Maria Lugones é uma filosofa e feminista argentina e propõe uma leitura descolonial sobre feminismo, gênero e sexualidade.

O texto “Colonialidad y género” publicado em 2008 se centra na intersecção entre classe, raça, gênero e sexualidade, com o intuito de romper com a indiferença prática e teórica com as “mulheres de cor”, isto é, mulheres não brancas que tem suas realidades invisibilizadas nas lutas feministas ocidentais.

Para tanto, Lugones parte do conceito colonialidade do poder elaborado pelo sociólogo peruano Anibal Quijano. Conforme o autor, ainda que o colonialismo seja um período histórico já findado, a colonialidade é a dominação imperialista que segue presente na realidade e nas subjetividades dos povos colonizados, a qual se expressa em diversas esferas, como no sexo, na autoridade coletiva, no trabalho, na subjetividade/intersubjetividade, na produção de conhecimento, mas, principalmente, na classificação social da população sobre a ideia de raça.

Embora a autora parta desse entendimento de colonialidade, e sinalize a centralidade da classificação racial da população na sociedade capitalista, Lugones avança e critica a limitação da discussão de Quijano sobre sexo e gênero, uma vez que o autor segue reproduzindo ideias com base no patriarcado, e não questiona a construção colonial moderna de gênero e sexualidade.

Assim, para ampliar a noção de colonialidade e abarcar as discussões de sexualidade e gênero, Lugones recorre às autoras Oyéronké Oyewùmi y Paula Gunn Allen, as quais remontam a história de sociedades indígenas e africanas que antes do processo imperialista de colonização não eram marcadas pela a divisão de dois gêneros, e tampouco pela dominação de um sobre outro. A partir dessas experiências, Lugones demonstra como o processo de colonização enraíza a concepção ocidental de gênero, e propõe que essas relações se estruturam em torno de um “Sistema Colonial de Gênero” marcado pela intersecção entre raça, gênero, sexualidade e classe.

Além disso, Lugones questiona o feminismo burguês, branco e ocidental, e a homogeneização da denominação de “mulher”, a qual  não inclui e invisibiliza as realidades das mulheres de cor.  Também apresenta como esse sistema conseguiu cooptar os homens que igualmente foram colonizados e explorados, isto é, vítimas da classificação racial, e, que, contudo, não deixam de ocupar uma posição de superioridade e dominação sobre as “mulheres de cor”.

Assim, o trabalho de Lugones consiste no esforço de visibilizar a mútua relação entre gênero e colonialidade, já que a classificação social da população sobre a ideia de raça é condição necessária para a estruturação do Sistema Colonial de Gênero.

Texto disponível em: http://www.revistatabularasa.org/numero-9/05lugones.pdf

Publicação em português de Maria Lugones “Rumo a um feminismo descolonial

https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/36755/28577

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